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Artigos Técnicos
» Ovelha não é para mato?
A Emater (RS), a Votorantim Celulo­se e Papel, agricultores e pecuaristas fa­miliares estão reunidos num programa de Poupança Florestal, desde 2004.

Em Bagé (RS), Miguel Bonotto plantou 45 ha de eucalipto em Bagé, em 2005, sob intensa estiagem e, mesmo as­sim, o desenvolvimento das árvores foi sa­tisfatório. O objetivo era consorciar reflorestamento com ovinos de corte. Co­mo existe muita forrageira, devido ao des­canso dos campos nos primeiros 4 meses do plantio e também devido a adu­bação realizada para a implantação da floresta, que auxilia no aumento da produção de matéria verde, os animais encontram alimentos em qualidade e quantidade satisfatórias para sua manutenção e ganho de peso.

Quatro meses após o plantio entraram os primeiros 200 ovinos na área e também foi plantado milho, restando 9 ha de campo natural. O rebanho permaneceu no local até o mês de junho, quando teve início a estação de nascimento dos cordeiros. Depois de encerrada a es­tação de parição, todos os animais volta­ram para dentro da floresta.

O manejo consorciado fez com que a produção de cordeiros fosse bem supe­rior que a dos anos anteriores, em parte devido à disponibilidade forrageira, composta de gramíneas e leguminosas natu­rais da região; bem como ao período de 4 meses de diferimento (época em que o pasto fica vedado para crescimento). O esterco dos ovinos é utilizado na adubação dos eucaliptos.

O encarneiramento utilizou Texel e Cor­riedalle, visando a produção de carne, que é consumida na propriedade e comercializada pelos frigoríficos do muni­cípio.

Os ovinos, então, permaneceram na floresta até o final da primavera e início do verão, sendo então levados para piquetes de campo nativo, visando ­facilitar o controle sanitário, em especial ­quanto ao controle de bicheiras, muito comum nos verões quentes de Bagé.

Os ovinos adaptaram-se muito bem na floresta de eucalipto. Circulam normalmente aproveitam os locais úmidos, margens de arroios, riachos, córregos, sangas, aceiros (local de divisa da propriedade). Foram fundamentais na limpe­za da área e na incorporação de matéria orgânica ao solo, evitando, assim, incêndios. No inverno, é feita a semeadura de azevém (gramínea de inverno) em todas as áreas que margeiam a floresta, uma vez que a área serve como abrigo para os animais.

O sistema mantém consórcio de bo­vinos com ovinos, em regime de pastoreio alternado. A plantação de eucalipto e milho acontece no 1º ano e depois de 4 meses os ovinos são introduzidos e, quando a floresta já está com cerca de 8 a 9 meses, entram os bovinos de ­corte.

Mário Antônio Costa da Silveira é engenheiro-agrônomo e chefe de escritório da Emater (RS)/Ascar de Bagé (RS);

Rodolfo César Forgiarini Perske é Engenheiro florestal e coordenador do programa Poupança Florestal no escritório regional da Emater (RS(/Ascar de Bagé (RS).
29/10/2007 - Revista O Berro nº 100 - Rodolfo César Forgiarini Perske, Mário A
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